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Renato do Luvik online

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No dimensionamento de sistemas híbridos, existe uma distinção fundamental que separa um projeto de engenharia sério de uma proposta genérica: saber exatamente quais equipamentos a bateria precisa sustentar quando a rede elétrica falha.
É para isso que existe o cadastro de Cargas Críticas no Luvik.

Diferente do dimensionamento fotovoltaico convencional onde o cálculo parte do consumo total da unidade consumidora, o sistema híbrido exige que o integrador solar mapeie com precisão quais cargas são indispensáveis durante um evento de falta de energia.
Atenção: configurar esses campos com valores incorretos ou “no achismo” compromete o dimensionamento da bateria, do inversor híbrido e a análise de C-rate do projeto.

O erro mais comum que ocorre é usar “1” para todos os campos sem verificar o datasheet. Isso pode resultar em um sistema que apaga exatamente quando o cliente mais precisa.

Para entender a relação entre as cargas críticas e o C-rate, leia o artigo: Entenda o C-rate e por que ele pode “apagar” a casa do seu cliente

O que são as cargas críticas?

As Cargas Críticas são os equipamentos que o sistema deverá manter funcionando com energia da bateria durante a ausência de rede elétrica (modo backup).

Elas são inseridas na etapa “Informe as entradas” nas “Configurações do dimensionamento híbrido”, dentro da seção “Cargas críticas”. Para entender o fluxo completo das etapas do dimensionamento, veja o artigo: Entenda os conceitos: O que são cargas críticas e como definir o tempo de autonomia do projeto.

Como acessar as cargas críticas no Luvik

Dentro do negócio, acesse a aba “Dimensionamento” e clique na etapa “Informe as entradas”

Role a página até encontrar o bloco “Cargas críticas”, identificado pela descrição: “Equipamentos que serão atendidos pela bateria do sistema”

Esta aba de cargas críticas apenas estará disponível, quando o número de recargas selecionadas for diferente de zero.

Fonte: Luvik

Nessa seção você encontrará dois botões:

  • “Adicionar equipamento”: abre uma lista de equipamentos pré-cadastrados para seleção rápida.
  • “Adicionar equipamento customizado”: permite inserir qualquer equipamento manualmente, campo a campo.

Fonte: Luvik

Como configurar cada campo

Ao adicionar ou editar um equipamento, o Luvik exibe seis campos. Cada um tem impacto direto no cálculo de autonomia da bateria e na potência mínima exigida do inversor híbrido.

Fonte: Luvik

Usaremos como exemplo real um motor WEG 1/2 CV monofásico, 4 polos, 220V. O tipo de motor utilizado em bombas d’água periféricas residenciais, um dos equipamentos mais comuns em projetos de backup.

1) Equipamento

Nome do equipamento que será atendido pela bateria. Esse campo é apenas descritivo, mas use um nome claro e identificável, pois facilita a leitura da proposta e evita dúvidas na revisão técnica.

Por exemplo: Bomba d’água periférica 1/2 CV é mais informativo do que simplesmente Bomba.

2) Quantidade

Número de unidades idênticas desse equipamento que estarão em operação simultânea.

O Luvik multiplicará a potência de cada unidade pela quantidade informada para calcular a demanda total da carga.

3) Potência (W)

A potência nominal de operação do equipamento, em Watts. Esse valor está na placa de identificação do equipamento (chapa do fabricante) ou no datasheet técnico.

Por exemplo: o motor WEG 1/2 CV tem potência nominal de 370 W (0,37 kW).

Não confunda com a potência em CV: 1 CV equivale a 736 W, portanto 0,5 CV = 370 W.

Um erro frequente é inserir a potência em kW (ex: 0,37) em vez de W (ex: 370).

Verifique sempre a unidade correta antes de salvar.

4) Horas de uso diário

Quantidade média de horas por dia em que esse equipamento fica ligado. Esse dado é fundamental para calcular o consumo diário da carga crítica (kWh/dia) e, consequentemente, a capacidade de armazenamento necessária na bateria.

Fórmula utilizada pelo Luvik: Consumo diário (Wh) = Potência (W) × Horas de uso diário

Por exemplo: se a bomba de 370 W opera por 3 horas por dia: 370 W × 3 h = 1.110 Wh/dia = 1,11 kWh/dia

Se o cliente usa a bomba apenas para encher a caixa d’água, o tempo real de uso costuma ser de 1 a 2 horas. Se a bomba pressuriza a rede de forma contínua, o tempo pode chegar a 6 a 8 horas.

Pergunte ao cliente antes de assumir um valor.

5) Fator de potência

Este é o campo que mais gera dúvidas e o mais subestimado no dimensionamento.

O Fator de Potência (FP, ou cos φ) representa a relação entre a potência ativa real consumida pelo equipamento (em Watts, que realiza trabalho) e a potência aparente que ele demanda da rede (em VA).

Em termos práticos, indica o quanto o inversor fornece, que é efetivamente convertido em trabalho útil pelo equipamento.

Cargas puramente resistentes como chuveiros, lâmpadas incandescentes e resistências elétricas têm FP igual a 1,00 (ou muito próximo disso). Cargas indutivas  como motores elétricos, compressores e bombas, possuem FP menor que 1.

Por que isso importa para o dimensionamento híbrido?
O inversor e a bateria precisam fornecer a potência aparente total (VA), mesmo que apenas parte dela (os Watts) realize trabalho. Ignorar o FP faz com que o dimensionamento subestime a demanda real sobre os equipamentos de armazenamento.

Exemplo real com o Motor WEG 1/2 CV:

Segundo o datasheet oficial da WEG para este motor (220V, 4 polos), os valores de fator de potência são:

O valor que deve ser inserido no Luvik é o Fator de Potência em plena carga (100%): 0,70.

Isso significa que para cada 370 W de potência ativa (o trabalho real que a bomba realiza), o inversor precisa fornecer: 370 W ÷ 0,70 = 529 VA de potência aparente

Se o integrador solar inserir 1,00 no campo, como se fosse uma carga resistiva, o dimensionamento do inversor ficará 30% subdimensionado para essa carga.

Como encontrar esse valor?
Ele consta na placa de identificação do motor (campo “cos φ” ou “FP”) ou no datasheet do fabricante.

Para motores monofásicos de indução comuns (bombas, compressores, ventiladores), o FP em plena carga tipicamente varia entre 0,55 e 0,85.

6) Potência de partida

Este é o campo mais crítico para a saúde da bateria e a estabilidade do sistema no momento de maior vulnerabilidade: o instante em que o motor é acionado.

Motores de indução (como os de bombas d’água, compressores e ar-condicionado) demandam uma corrente elétrica muito superior durante a partida do que em regime de operação contínua. Nos primeiros instantes após o acionamento, o rotor ainda está parado e o motor age quase como um curto-circuito para a rede, exigindo uma corrente de pico elevada até atingir a velocidade nominal.

Essa relação é expressa pelos fabricantes como Ip/In (corrente de partida / corrente nominal).

Exemplo real com o Motor WEG 1/2 CV:

O datasheet da WEG informa Ip/In = 4,8x para este motor a 220V.
Traduzindo em dados concretos:

  • Corrente nominal em regime: 6 A
  • Corrente de partida (pico): 28,8 A (~5x a corrente nominal)

No campo “Potência de partida” do Luvik, esse valor é inserido como um multiplicador da potência nominal. Para o motor WEG 1/2 CV, o valor correto é 4,8.

Isso significa que, no instante da partida, o sistema de armazenamento precisa estar preparado para fornecer: 370 W × 4,8 = 1.776 W de pico

Esse pico de potência dura apenas frações de segundo, mas é suficiente para fazer o BMS (Battery Management System) da bateria acionar a proteção de sobrecarga e desligar o sistema, exatamente o cenário descrito no artigo sobre C-rate.

Por que muitos projetos falham neste ponto?
Deixar o campo com valor padrão 1,00 significa que o Luvik calculará o dimensionamento como se a bomba partisse sem nenhuma demanda adicional de corrente. Na prática de campo, esse motor vai travar o inversor ou desligar a bateria na primeira vez que a rede falhar e o cliente ligar a bomba.

Como encontrar esse valor?
O campo Ip/In está no datasheet do motor ou na placa de identificação, geralmente expresso como um coeficiente (ex: “5,0x”, “Cód. M”, ou “corrente de partida: 24 A”).

Para motores de partida direta residenciais, o Ip/In típico varia entre 4x e 7x a corrente nominal.

Resumo: como preencher os campos para a bomba d’água WEG 1/2 CV

Conclusão para o integrador solar

O cadastro de cargas críticas não é um campo de preenchimento rápido. É o ponto de entrada onde a precisão de engenharia define se o sistema vai ou não sustentar o cliente durante uma falta de rede.

  • Consulte sempre o datasheet: os valores de Fator de Potência e Potência de Partida estão na placa do motor ou no catálogo do fabricante. Não assuma “1,00” para motores indutivos.

  • Pergunte ao cliente o uso real: horas de uso diário determinam a autonomia. Uma hora a mais ou a menos pode fazer toda a diferença no banco de baterias dimensionado.

  • Use o Luvik para cruzar os dados: com as cargas cadastradas corretamente, o motor de cálculo valida automaticamente a relação entre o pico de partida, o C-rate da bateria escolhida e a potência mínima do inversor híbrido, blindando sua proposta antes de chegar ao cliente.

Em caso de dúvidas, entre em contato com nossa equipe de suporte.

 

Author

Engenheiro Eletricista com especialização em energia solar. Possui experiência de 3 anos com vendas, dimensionamento e monitoramento de sistemas fotovoltaicos. Com o aprimoramento e estudo diário, auxilia o time do Luvik no desenvolvimento de novas funcionalidades e na criação de conteúdos que auxiliam o integrador a gerar mais valor aos seus clientes.

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