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Renato do Luvik online

Olá, como podemos te ajudar hoje?

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Poucas coisas assustam mais um cliente de energia solar do que a ideia de perder a isenção tarifária. Imagine que  o seu cliente instalou o sistema antes de 2023, garantiu o direito adquirido (GD I) até 2045 e, agora que comprou um ar-condicionado novo, precisa de mais painéis.

É aí que a dúvida surge: “se eu ampliar minha usina hoje, a concessionária vai enquadrar tudo nas novas regras e eu vou começar a pagar o Fio B sobre todo o meu sistema?”

O problema é que muitos integradores travam na hora de explicar o que acontece no pós-venda.

O cliente quer adicionar 4 kWp (um projeto que gira em torno de R$ 15.000 a R$ 20.000), mas o medo de “enquadrar” a usina antiga com as regras da Lei 14.300/2022 faz a venda esfriar.

E qual é o  resultado? Na maioria das vezes, o cliente desiste, a proposta fica na gaveta e você perde dinheiro por falta de informação..

Mas calma, integrador! O que hoje parece um beco sem saída, pode ser justamente a oportunidade de mostrar o seu profissionalismo no mercado.

Saber ler a fatura e provar matematicamente que o direito adquirido está protegido é o que transforma você de um simples instalador para um consultor solar estratégico.

A Solução: a blindagem da REN 1.000 e a fatura dividida

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) estabeleceu regras claras  para proteger quem já tinha o benefício. O segredo está no Artigo 655-R da Resolução Normativa nº 1.000/2021.

A regra determina que a concessionária é obrigada a:

  1. Manter a classificação de GD I (isenta até 2045) para a potência do sistema original.
  2. Classificar apenas a parcela correspondente ao aumento de potência como GD II ou GD III (sujeita ao Fio B).

Na prática, a distribuidora faz uma proporção matemática baseada na potência dos inversores. Se o cliente tinha 3 kW e adicionou mais 3 kW, metade da energia injetada no mês será isenta (GD I) e a outra metade pagará o Fio B (GD II).

Como provar isso na prática com uma conta real

Para você entender como isso chega na casa do cliente, vamos analisar uma fatura real da CPFL , com vencimento em 02/03/2026 , de um cliente de Mococa, SP.

O cliente da conta  abaixo,  possui um sistema que passou por uma ampliação. 

Exemplo Prático: este cliente possuía uma usina antiga (GD I) composta por um inversor de 3 kW, mas com apenas 2,92 kWp em placas.

Como a potência das placas era a menor potência, a potência instalada registrada pela concessionária foi de 2,92 kW.

Anos depois, ele ampliou o sistema (GD II) adicionando um novo inversor de 3 kW com 4,4 kWp de placas. O limite inferior dessa parte nova será o próprio inversor: 3,0 kW.

Quando a concessionária for homologar a ampliação, o sistema passará a ter um total de aproximadamente 5,92 kW de potência considerada para o cálculo.

A proporção tarifária será dividida da seguinte forma:

Parcela GD I: 2,92 kW ÷ 5,92 kW = ~49,33%

Parcela GD II: 3,0 kW ÷ 5,92 kW = ~50,67%

É aproximadamente essa proporção que será aplicada à energia total que a usina injetar na rede ao longo do mês.

Veja exatamente como a concessionária dividiu a injeção de energia no mês de fevereiro de 2026:

  • Total de energia injetada: o medidor registrou 218,00 kWh de Energia Ativa Injetada (TE).
  • A parcela protegida (GD I): a CPFL lançou 106,1006 kWh na linha “Energia Ativa Injetada TUSD FEV/26”. 

Essa é a parte do sistema original. Note que a tarifa de devolução aqui foi de R$ 0,44266000, a mesma tarifa cobrada no consumo do sistema, portanto uma compensação de 1:1 o famoso direito adquirido.

  • A parcela da ampliação (GD II): os outros 111,8994 kWh foram lançados em uma linha separada, chamada “Energia Ativa Injetada TUSD2 FEV/26”. 

Essa é a parte nova que paga o Fio B. Por isso, a tarifa de devolução é menor, de apenas R$ 0,34128870, esta parcela é menor por conta dos encargos e custo de transporte, o Fio B.

Fonte: Fatura Cpfl Santa Cruz, cedida pelo cliente

Perceba que a concessionária não cancelou o benefício antigo. Ela simplesmente dividiu os 218 kWh totais nas proporções aproximadas da potência do sistema velho e do sistema novo.

Como vender essa solução

A forma como você comunica essa solução   é o que determina se ela será vista como custo ou como investimento. Mais do que apresentar um produto, é preciso conduzir a conversa com inteligência. Dominar a escuta ativa e a venda consultiva é essencial aqui.

Abordagem incorreta (Vendedor de Kit):  “Sr. João, se o senhor aumentar, a parte nova vai pagar a taxação, mas a velha não. Confia em mim, a lei garante.” 

Resultado: o cliente fica inseguro, não entende como a conta vai vir e prefere não arriscar a isenção que já tem.

Abordagem correta (Consultor de Energia):  “Seu João, a ANEEL blinda a sua usina atual através do Art. 655-R. A sua conta vai vir com duas linhas separadas de injeção: TUSD 1 e TUSD 2. A primeira linha continua com 100% de isenção até 2045.

Somente a segunda linha vai pagar o custo de transporte da distribuidora. Eu trouxe aqui uma conta real de 2026 de outro cliente que ampliou comigo para o senhor ver na prática como a matemática funciona.”

Resultado: confiança imediata. O cliente enxerga você como uma autoridade técnica com grandes chances de  fechar o negócio.

Potencializando seu fluxo de caixa

Quando você domina a explicação do GD I x GD II e a regra de inversão de fluxo, sua taxa de conversão em clientes de base, aqueles que já compraram de você no passado salta drasticamente.

Se você fechar apenas 3 projetos de ampliação por mês que seriam perdidos pelo medo do cliente, estamos falando de adicionar um faturamento mensal limpo, sem gastar um centavo a mais em marketing para aquisição de novos leads. Você rentabiliza a sua própria carteira.

O mapa nas mãos

A legislação não é sua inimiga; ela é o roteiro que elimina a sua concorrência amadora.

Entender os detalhes de uma fatura de energia e saber traduzir isso para o cliente é a habilidade mais valiosa do mercado fotovoltaico hoje.

Use o CRM do Luvik para mapear todos os seus clientes antigos (GD I) que tiveram aumento de consumo recente e crie uma campanha específica de ampliação, já com a argumentação técnica afiada!

E você, integrador? Quantas vendas de ampliação você acha que deixou na mesa no último ano por não saber explicar com clareza a divisão na fatura? Deixe seu comentário abaixo!

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Engenheiro Eletricista com especialização em energia solar. Possui experiência de 3 anos com vendas, dimensionamento e monitoramento de sistemas fotovoltaicos. Com o aprimoramento e estudo diário, auxilia o time do Luvik no desenvolvimento de novas funcionalidades e na criação de conteúdos que auxiliam o integrador a gerar mais valor aos seus clientes.

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