Você é integrador solar e está tendo dificuldades na aprovação de projetos pela Cemig?
Neste artigo explicamos a metodologia apresentada pela Cemig, para realizar o cálculo da potência de sistemas de energia solar fotovoltaicos, visando facilitar o processo de aprovação de seus projetos.
Foi publicada em Abril de 2024, pela Cemig, uma metodologia para a redução de potência de sistemas, que passa a ser vigente para pedidos protocolados a partir de 02/04/2024.
O intuito da metodologia aplicada é adequar novos projetos às condições de inversão de fluxo, mostrando como realizar o cálculo para redução de potência dos novos projetos.
IMPORTANTE: As informações aqui contidas são de caráter explicativo e não dispensam a consulta aos documentos oficiais da Cemig, nem constituem garantia de aprovação de projetos.
Inversão de Fluxo:
A Inversão de Fluxo de Potência descreve a situação em que a energia gerada por um sistema fotovoltaico excede o consumo local, sendo direcionada para a rede elétrica. Este cenário, dependendo de sua magnitude e das características da rede, demanda atenção especial, visto que pode resultar em:
- Sobrecarga da Rede: excesso de energia impacta equipamentos e linhas de transmissão.
- Desequilíbrio de Tensão: variações inesperadas na tensão elétrica podem danificar equipamentos.
- Interrupções no Fornecimento: em casos críticos, a Inversão de Fluxo pode causar interrupções no fornecimento de energia.
A análise individualizada de cada caso é imprescindível para determinar a adequação da Inversão de Fluxo aos parâmetros de segurança e estabilidade da rede elétrica.
Metodologia de Cálculo da Cemig:
A Cemig publicou uma metodologia específica para determinar a potência máxima permitida para sistemas fotovoltaicos. Os fatores considerados incluem:
- Consumo Médio Mensal (CCLIENTE): utiliza-se a média de consumo dos últimos 12 meses para unidades consumidoras existentes, enquanto unidades novas adotam um valor padrão de 173 kWh/mês.
- Fator de Conversão (FCONV): este fator varia conforme o perfil de consumo da unidade consumidora (residencial, comercial, rural, etc.), considerando o percentual de consumo entre 6h e 18h (horário de ponta), conforme apresentado na Tabela 1.
- Potência de Geração Liberada (PGD): Representa a potência máxima permitida para o sistema fotovoltaico, calculada pela fórmula: PGD = CCLIENTE / FCONV.
Cálculo do Fator de conversão
O fator de conversão (𝐹𝐶𝑂𝑁𝑉 ), para cálculo do montante de geração
liberado, considera o consumo médio do consumidor nos últimos 12 meses
completos (𝐶𝐶𝐿𝐼𝐸𝑁𝑇𝐸 ) e a estimativa de geração da formulação apresentada no
Art. 655-B da REN nº 1.000/2021, a qual é dada pela Equação 2.
Para a obtenção do fator de conversão aplica-se a seguinte operação mostrada na Equação 1.
𝐹𝐶𝑂𝑁𝑉 = 115,2 / 𝐶s (Equação 1)
Para encontrar valor de 115,2 , utilizado na equação do fator de conversão, a metodologia da Cemig, considera Eg / Pg (presente na equação 2), ou seja a relação entre a produção média mensal estimada da unidade geradora e potência instalada da unidade geradora. Que ela chama de estimativa de geração.
𝐸𝑔 = 𝑃𝑔 ∗ 𝐹𝐶 ∗ 24 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠 ∗ 30 𝑑𝑖𝑎𝑠 (Equação 2)
sendo:
𝐸𝑔 a produção média mensal da geração distribuída;
𝑃𝑔 a potência instalada da geração distribuída;
𝐹𝐶 o fator de capacidade para a fonte solar, estabelecido em 16%.
O fator de capacidade expressa a energia real produzida pelo sistema em relação à energia máxima teórica que ele poderia gerar se operasse em sua potência máxima durante todo o tempo. Por exemplo, um FC de 16% significa que o sistema produz, em média, 16% da energia que poderia produzir se funcionasse em sua potência máxima 24 horas por dia.
O valor de 16% é uma estimativa média do fator de capacidade para sistemas solares fotovoltaicos no Brasil.
Ao multiplicar o fator de capacidade (𝐹𝐶) de 16% por 24 horas do dia por
30 dias do mês, obtém-se o valor de 115,2 utilizado na equação do fator de
conversão (𝐹𝐶𝑂𝑁𝑉 ).
Finalmente, com os valores de 𝐹𝐶𝑂𝑁𝑉 e 𝐶𝐶𝐿𝐼𝐸𝑁𝑇𝐸 , calcula-se a potência de
geração liberada para a usina fotovoltaica (𝑃𝐺𝐷 ) através da Equação 3:
𝑃𝐺𝐷 = 𝐶𝐶𝐿𝐼𝐸𝑁𝑇𝐸 / 𝐹𝐶𝑂𝑁𝑉 (Equação 3)
As tabelas abaixo e o valor de Cs, também utilizado na fórmula, vem dos estudos realizados pela empresa, conforme descrito pela mesma abaixo.
Tabela 1 – Fatores de referência para cálculo da potência de injeção
Fonte imagem: metodologia Cemig
“Os valores da Tabela 1 foram obtidos a partir dos maiores valores de
coincidência entre carga e geração em dias úteis de cada classe e faixa de
consumo dos resultados da campanha de medição enviados à ANEEL na última
revisão tarifária, apresentados na Tabela 2.”
Tabela 2 – Resultados da campanha de medição
Fonte imagem: metodologia Cemig
Exemplos de Aplicação:
Exemplo 1: Unidade Consumidora Residencial Existente:
- Consumo médio mensal (CCLIENTE): 300 kWh/mês
- Classe de consumo: Residencial (CS = 68%)
Calculando o FCONV:
FCONV = 115,2 / 68% = 169,41
Calculando o PGD:
PGD = 300 kWh/mês / 169,41 = 1,77 kW
Portanto, a potência de geração liberada para esta unidade consumidora residencial é de 1,77 kW.
Exemplo 2: Unidade Consumidora Rural com Mais de 12 Meses de Dados:
- Consumo médio mensal (CCLIENTE): 12.000 kWh/mês
- Classe de consumo: Rural 4 (CS = 56,33%) – Conforme Tabela 2
Calculando o FCONV:
FCONV = 115,2 / 56,33% = 204,51
Calculando o PGD:
PGD = 12.000 kWh/mês / 204,51 = 58,67 kW
Portanto, a potência de geração liberada para esta unidade consumidora rural é de 58,67 kW.
Conclusão:
A aplicação da metodologia não garante a aprovação do projeto pela Cemig, mas, o intuito deste artigo é informar e explicar a metodologia ao integrador para que mais pessoas tenham acesso a informação e passem a aplicar visando facilitar a aprovação de seus projetos.
Convidamos os integradores a compartilhar aqui nos comentários as suas experiências com a aplicação prática desta metodologia, seus desafios e percepções sobre a aprovação de projetos.
Todos os dados para este artigo foram obtidos no site da Cemig.
Neste link, também é disponibilizado uma calculadora para realizar os cálculos da potência dos sistemas fotovoltaicos.
Aproveite para compartilhar este artigo com seus colegas que estão enfrentando dificuldades em seus projetos e assim auxiliarmos no fortalecimento do setor solar!
4 Comments
Olá prezados, boa noite.
Neste sentido, ficará inviabilizado fazer um projeto e gerar excedente para abater em outra unidade consumidora? Quando se trata de excedente é só questão documental. Como tratar esta situação ou eu entendi errado?
Pedro Vieira
Olá, Pedro, tudo bem?
Segundo o entendimento da Aneel, principalmente nas áreas onde estão sendo barrados projetos com inversão de fluxo, você deve alinhar seus projetos de acordo com o entendimento dela, sobre 3 situações onde será dispensada a análise de inversão de fluxo. Inclusive, falamos sobre essas situações neste artigo: https://blog.luvik.com.br/inversao-de-fluxo-aneel-define-novas-regras/. Os demais projetos que não se enquadraram nestes 3 pontos , continuam sendo analisados pela distribuidora.
Um forte abraço.
Bom dia Eduardo,
Não entendi o objetivo da equação 2. Para que serve o Eg se não entra no cálculo final? Outra coisa, a potência de geração liberada no resultado dos exemplos é o excedente de energia que injetamos na rede? O Pg é em KW ou em Kwp?
Tive um projeto da Cemig com limitação de potência de 1,5KW. Entendo que esse valor é a Potência do momento, ou seja, se trabalho com rede de 220Vac, então posso injetar no máximo 6,8amp….é isso?
Como a Cemig poderá monitorar se o cliente não está injetando mais do que é permitido?
Se puder me ajudar, agradeço.
André
Bom dia, André.
O objetivo da equação 2 e o Eg, no cálculo da Cemig, seria para encontrar o que ela chama de fator de conversão.
O Pg, segundo o novo manual da Aneel, sobre apresentação dos cálculos de inversão de fluxo e condições onde a mesma é dispensada, é em Kw, pois trata da máxima potência de injeção.
Portanto não é o que você injeta na rede, mas com que potência injeta, levando em conta a simultaneidade da instalação, que está detalhada no manual.
Outro ponto a se observar para aplicar o cálculo da redução de potência, é se a unidade consumidora possui um histórico de pelo menos 12 meses de consumo. Caso o contrário o cálculo não é aplicado.
Em baixa tensão, a Cemig por enquanto não tem a sua medição de corrente injetada, mas ela vai verificar a sua injeção, pela estimativa de geração do seu projeto apresentado no orçamento de conexão.
Segue link do manual da Aneel:
www2.aneel.gov.br/cedoc/adsp20242216_2.pdf
Aproveito também para lhe convidar para uma live que vamos fazer no dia 12/11 às 19h, em que vamos debater estes conceitos e mostrar como aplicá-los no Luvik.
https://lp.luvik.com.br/live-futuro-geracao-distribuida
Um abraço!